| Pedal e vinho! Viva Mendoza! Uma excelente surpresa! |
Era meio de Setembro e a Bibi resolveu que merecíamos uma viagem de aniversário de casamento de presente. Então trouxe um daqueles prospectos de pedalada no exterior (ela queria mesmo me convencer a ir!).
Assim que li assustei! O valor de 4 dias, 5 noites era muito alto. Li com atenção e não entendi o motivo de tanto dinheiro, mas gostei muito da idéia da Bibi! Vamos! Mas vamos fazer um roteiro nosso. Um roteiro que nos leve às bodegas e lugares que queremos conhecer. Vamos pesquisar! Rapidamente compramos as passagens, para garantir lugar no avião, na véspera do aniversário de casamento!
Aí foram dois meses de pesquisa e "escolhe-desiste-re-escolhe" até fecharmos o roteiro. A Bibi marcou tudo em uma planilha, que ficou ótimo, garantindo a organização da nossa aventura! O Adriano, um amigo ajudou a escolher ótimas Bodegas.
Primeiro desafio foi em relação às bikes... todo mundo dizendo para alugar bike lá, mas quem pedala (e é gamado em bike...) sabe que bicicleta é como escova de dentes... Começava assim o trabalho de embrulhar as bikes para a viagem.
Compramos dois malas bike, mas trata-se de uma mala de lona, sem proteção. Algo que iria durar tanto no avião quanto brigadeiro em festa de criança. Passei duas horas embrulhando as bicicletas, para não ter perigo de estragarem.
Ficou ótimo. 20 kg cada embrulho de bicicleta, mais uma mala cada um que não somavam 12 kg. Tudo certo e vamos para o aeroporto!
Chamamos um taxista que sempre nos atende com uma Zafira, vai sobrar espaço, certo? Não! Surpresa número um: o carro é a gás. Aperta daqui, aperta dali, embrulha a Bia no banco traseiro entre bicicleta e mala e vamos embora!
Abaixo nossa chegada no aeroporto!
Chegamos no check in! Surpresa número dois! Voo no Mercosul não é considerado internacional! O máximo de peso que cada um poderia levar é de 20kg. Tínhamos mais do que isso em bicicleta+proteção de bicicleta cada um! Ok, paga-se extra. Com um bico que ia daqui a Buenos Aires, pagamos e embarcamos.
A chegada foi espetacular! Tivemos que pegar dois táxis para sair do aeroporto e ir para o hotel. A surpresa é que o preço do táxi em Mendoza é muito baixo. Deu tudo super certo. Eram umas 20:30 e resolvemos colocar tudo em ordem, desembrulha, monta, arruma. Um baita cuidado, pq fizemos isso dentro do quarto do hotel. Imagina a alegria do Gerente!
Indo para o quarto, transformá-lo em oficina
Começo da transformação, quarto -> bicicletaria
Transformação completa! Agora eu estou feliz!!!
Bikes sobreviveram sem nenhum problema! Quase 6 kgs de papelão, plástico bolha, suportes de freio, etc...
Lá pelas 21:00 rolou um terremoto, coisa de mais de 5 pontos, mas nem sentimos. Ficamos sabendo só no dia seguinte. Que bom, aventura sem tomar susto!
Agora cama, que amanhã tem pedal! Oba!
DIA 2
42 km de pedal, sem subidas, metade em ciclovia, passeio de dia todo, visita a duas bodegas. Excelente! Nível 3 (quer saber o conceito de nível, clique aqui)
| Saindo para o pedal |
O interessante é que todo o percurso é ligeiramente em direção da cordilheira, assim saímos da altitude 750m e fomos até a altitude 820m. Ligeira subida na ida e ligeira descida na volta! Perfeito!
Os passeios foram excelentes.
Do centro para a Lagarde teve três etapas, beeemmm diferentes. Primeiro passeamos pelo bairro mais ao norte da avenida principal da cidade. Andamos tendo a Cordilheira como referência, indo em direção à ela algumas quadras. Sabia que por ali chegaria no início da ciclovia (é só perguntar no centro da cidade que indicam. Super fácil de chegar). Este passeio até a ciclovia foi muito tranquilo. Passamos por bairros residenciais, o dia estava lindo, as árvores de plátano eram encantadoras.
| Ciclovia em Mendoza, ligeira subida para quem está se afastando do centro. |
Rapidamente entramos na ciclovia. Quase da largura da ciclovia do Rio Pinheiros aqui em São Paulo, com piso excelente.
Embora a ida fosse ligeira subida pedalamos sem nenhum problema e chegamos rapidamente até a terceira parte da nossa ida, que era pedalar na Ruta 40. Foi aí que a dificuldade começou. Sem calçada e sem acostamento! Como pode? Quando existia um pedaço livre entre a estrada e as casas ou comércio era com chão de pedregulhos. As bikes pesavam um milhão de kilos e ainda ficavam dançando. Eu olhava para a Bibi e pensava comigo que um tombo dela ia gerar um mau humor gigante (acreditem, dói mais do que os machucados...).
| Altar a céu aberto. Uma paixão de cristo apresentada de forma belíssima! |
Para aliviar passamos em um lugar muito bonito com um altar católico e a paixão de cristo em afrescos ao ar livre. Paramos para uma oração e para agradecer o quão felizes somos, com nossas famílias e nossas vidas.
E então voltamos a pedalar. As pedras seguravam, os carros passavam perto e rápido demais. Não tanto por falta de educação (na média o trânsito é melhor do que o aqui de São Paulo) mas por falta de espaço mesmo. Ou seja, se você estiver pensando em fazer a rota do vinho de bike, lembre-se de levar uma boa dose de bom humor e ânimo, pq tem estes trechos chatos...
E chegamos na LAGARDE! Se quiser saber do vinho e do almoço, então leia aqui a visão gastronomica do passeio!
| Chegamos! E valeu a pena! Lugar bonito, passeio light, bom atendimento, vinho e comida! Totalmente recomendado! Não se esqueça de fazer reserva. |
Foi chegar na Lagarde e começou a chover. Passaram-se 10 minutos o céu estava azul de novo! Assim é Mendoza. Lembre-se de estar preparado para chuvas repentinas, com possibilidade de granizo... e terremotos... o paraíso!!
Da Lagarde fomos para a Alta Vista, que fica voltando para o centro, a 6,5 km de distância. Passa que o endereço da Alta Vista é mais difícil de encontrar. Mesmo com o GPS não chegamos lá tão facilmente. Quando chegamos na região tinha umas quebradinhas mais difíceis. Então perguntamos para umas quatro pessoas até chegar. Valeu a pena! A casa é linda e o atendimento é muito bom!
A volta foi evitando a Ruta 40, vindo por vicinais até a ciclovia. É intuitivo. A maior parte das ruas são retinhas (dá para ver no google earth). Foi um pouco melhor do que a Ruta 40, mas as ruas também são de velocidade mais alta e sem acostamento. O que salva é a educação da maior parte das pessoas. PEDALE COM CUIDADO, de qualquer forma! Finalmente chegamos na ciclovia, e aí, como esperado, foi ladeira abaixo!
DIA 3
Passeio no Parque San Martin. Passeio de 5 horas. 25km rodados, dos quais 18 dentro do parque. Com subida. Nível 2. (quer saber o conceito de nível, clique aqui)
Importante: Leve água em abundância, pelo menos 300 ml por hora. O clima é seco demais.
| Entrada do Parque |
Dentro do parque o piso é excepcionalmente bom, as bikes fluem deliciosamente. As avenidas são largas e não encontramos multidões ou aglomerados de pessoas.
| Vista da entrada do parque. Daqui distribuem-se várias opções de passeios. Há, seguindo pela avenida principal, à esquerda de quem entra, um host serviceque pode dar indicações de passeios. |
| No Rosedal |
Dentro do parque há opções de alimentação, mas são caras. Levando em consideração a distância até o centro onde se come uma boa empanada com vinho honesto, deixamos para comer depois.
São mais ou menos 200 metros de desnível, mas a temperatura é amena e há poucos trechos muito íngrimes.
Vale a pena esta subida! No alto está um monumento a San Martin que deve ser uma das obras de arte mais bonitas de toda a América! Reserve umas duas horas apenas para este passeio.
A volta do parque é... descida!
Em poucos minutos chegam as empanadas!
| Empanadas!!! |
Depois fizemos um city tour até o aquário da cidade (desistimos de entrar quando chegamos, não é um bairro totalmente convidativo e não tinha onde deixar as bikes com segurança), visitamos algumas lojas de bike (conte com elas para o básico apenas).
Andamos pelas praças da cidade. Veja no google ou em algum guia. São lindas. Devem ser visitadas.
DIA 5 ...não, não falta o dia 4, é que neste não teve pedal...
Passeio de carro até o pé do Aconcágua (220 km de Mendoza), com subida de carro até o Cristo Redentor e descida de BIKE! Descida é fácil. Passeio nível 2 a descida. Subida é 5, pois, apesar da curta distância o solo é difícil de pedalar em alguns trechos e a inclinação é forte em outros.
O passeio vale totalmente! Veja que a região tem muitos lugares para se fazer um pedal mais forte. Vale ir para lá e ficar mais dias. Porém não podíamos fazer isso, então investimos um dia para conhecer.
O Cristo Redentor é um monumento entre o Chile e a Argentina. Pode-se subir pelos dois lados. Escolhemos subir pelo Chile, pelo visual. Depois fomos a pé até o pé do Aconcágua, mas isto é outra história.O vento na região do Cristo era tão forte (acima de 50km/h) que tive que pedalar na descida. A bicicleta chegava a parar!
Para piorar, tinha esquecido a bomba no quarto do hotel e o pneu começou a esvaziar. A sorte foi encontrar uma turma subindo (baaaiiitaa escalada) e eles tinham bomba. Para eu não me sentir newbie demais com a situação um dos ciclistas estava sem... casaco! O cara ia congelar. Não ia subir. Tirei meu corta vento e dei para ele, que tentou dar a bomba em retribuição. Não fazia sentido. Ele no começo de uma viagem e eu terminando. Ele ia precisar da bomba. Custou um casaco, mas ganhei um amigo. Trocamos email e vamos marcar uma pedalada internacional qualquer hora!
Passeio espetacular. Se quiser uma aventura, prepare-se para cruzar da Argentina para o Chile. Não é difícil de organizar. Boa Viagem!





Nossa, que legal esta visão "pedal" da nossa viagem!! A minha visão lá no Desafios foi totalmente "gastronômica"! rs Quantas facetas da mesma (e maravilhosa) viagem!! Uma ressalva: embora vc tenha dito que a descida do Cristo é nível 2, eu discordo!! Se para descer de carro eu fui literalmente "pisando em ovos", com tantas curvas e pedras soltas e enormes, imagina de bicicleta! E, detalhe: você desceu muito mais rápido de bike que eu com o carro!! Beijos e parabéns pela narrativa! Fiquei com vontade de fazer tudo de novo! Vamos????? rs
ResponderExcluirEntão! Acho que estava mais fácil de bike do que de carro mesmo! Mendoza surpreendeu. É uma grande e animada Vila Madalena, com comida de qualidade e preços honestíssimos. Que viagem. Que bom que você é animada e teve esta idéia linda!
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