terça-feira, 4 de junho de 2013

Pedalada 5 - Alto da Serra da Rodovia Oswaldo Cruz até Paraty

Distância total: 83 km Nível 4(-), tempo total 04:40h


Mandando beijo para minha mulher e
começando a descida! Os próximos 7 km
vão ser muito bons!
Este passeio é um dos mais divertidos que tenho feito! Vou colocando os horários e distâncias entre parênteses para  dar uma noção da diversão!





Descer do carro (14:42/ 0 km) e deixar a bicicleta “despencar” 900 metros em pouco mais de 7 km, pedalar até o trevo de Ubatuba e ver a placa indicando “Paraty 70km” (15:02/+-14km) é uma delícia!

Depois de descer a serra, acreditem, as pernas ficam bambas uma meia hora. Esta história de que para baixo todo santo ajuda fica estranha numa entrada de curva, em cotovelo, com quase 20% de inclinação a 60 km/h!
Então aproveitando o misto de pernas bambas e adrenalina, acelerei por toda a primeira hora e, claro, com a ajuda da velocidade da descida, ganhei 27.7km embaixo das rodas.
A esta altura já tinha passado a praia vermelha e veio a primeira subida. O asfalto no acostamento é muito rugoso e freia fortemente a bicicleta. O vento era NNO, 10km/h, ou seja, vento de proa. Tudo isso na subida fez a velocidade cair muito. A média desceu para 13,5km/h e fez as pernas doerem. A solução foi fazer um lanchinho (pedalando) comendo uma banana. (16:00 / 32km).
A subida da polícia rodoviária (praia do Félix) é longuíssima, foi outra puxada boa!
Às 16:42 / 45.6km chegou a hora do primeiro chocolate Charge. Uma bomba de calorias! 5 minutos depois parecia que eu tinha tomado TNT. Mas a “carga” de açúcar durou pouco... Já estava chegando no pé da subida da serrinha da divisa São Paulo/Rio quando comecei a receber SMSs. Fiquei curioso para lê-los. Faltavam 8 km para a divisa e este trecho é só subida. às 17:10 / +-55km desci da bike pela primeira vez e fui caminhando enquanto comia outro Charge e trocava SMSs com a Bibi. Minha mulher é um espetáculo! Quando eu falei que faltava só uns 25 km ela comemorou muito! Fiquei imaginando o que me esperava no prato! Que delícia!

Ficou escuro... os medos aparecem... o primeiro deles, o medo de assalto!

Subi na bicicleta e parecia que tinha ligado uma turbina! Pedalei na subida acima de 30km/h. Esta alegria durou uns 5 minutos (ah esta “carga rápida” do charge passa rápido! RS). Então a velocidade começou a cair. Fui até o fundo do poço com uns 6km/h (17:42 / 60km).. Parecia que não ia chegar nunca na divisa, quando finalmente começam as descidas. Neste trecho sobe-se 45% da altura da serra para São Paulo (385m). Nos dois últimos kilômetros antes do Rio a noite já estava feita. Muito ruim isso... faltam algo como 20 km e eu não tinha luz para pedalar no escuro. A previsão de chegada é que eu pegasse uns 7 km de escuro apenas, mas me atrasei na subida da serra (as lanternas tinham ficado em Paraty). Passei por dois bares e tinha gente neles Pedalei mais uns 200 metros e ouvi o barulho de uma motocicleta em mau estado ligando. Coloquei o celular com a luz ligada no bolso da camiseta. A motocicleta acelerou forte para a minha direção. Olhei para traz e vi que vinha com o farol apagado. Tive certeza de que ia ser assaltado. Meti a mão no bolso e virei o celular escondendo a luz. A motocicleta parou imediatamente. Medo. Acelero ou me jogo no mato? O escuro agora era completo. Neste trecho o mato envolve a estrada. Não via nada. Só sabia que enquanto o pedal estivesse pesado estava subindo e pronto. Então a moto ligou de novo. Acelerou e veio para cima de mim. Passou a menos de 30 cm e os dois ocupantes gritaram: -- QUE SUSTO CARA#%&@#... Kkkkk. Então pararam uns 300 metros para a frente, na porta de uma casinha muito escondida e chamaram o dono! Eles também não tinham farol e estavam me seguindo por causa da luz do celular. Só estavam indo do bar para a casa de alguém! Ahhh neurose, não é?


Morcegos me mordam, Batman!

Assim, feliz de não ter sido atropelado nem assaltado, terminei a subida da serrinha (aprox 18:00). Agora era deixar rolar. Como não via nada, fui para o meio do asfalto. Conseguia muito mal ver as faixas pintadas no centro da pista. Rezando para nada apagado trafegar por ali deixei a bicicleta rolar solta. E tinha alguma coisa apagada transitando! Um morcego, grande, frio, barulhento que “catei” com a parte de fora do cotovelo esquerdo fazendo um som de carne sendo jogada em cima do balcão do açougue. Um barulho molhado e gosmento. Coitado do morcego. Deve estar até agora se perguntando quem era o doido!
O susto foi grande. Se tivesse pego no rosto teria, pelo menos pelo susto, jogado-me no asfalto. Então freiei a bicicleta e fui andando pela parte escura, rugosa e trepidante que é o acostamento.

Cuidado com a placa! Que placa? Cabum!

Sabia que imediatamente depois da “grande curva” – uma curva à direita que gosto muito de fazer de forma “esportiva” de carro – teria uma cratera no chão pegando todo o acostamento e metade da pista. Vim me preparando para diminuir a bike assim que chegasse perto, pois sabia que não a veria. E então aconteceu! Um longo som de sino e aquela sensação de queda da montanha russa no escuro lá da Disney! Por um reflexo protegi a cabeça (para não estragar o boné! Pq no escuro, sem capacete, perto da “cratera”, andando em cima na bike e não empurrando ela é pq a cabeça não serve para nada mesmo!!! Kkkkkkkkkkkk).  De verdade não sabia o que estava acontecendo. Mas sabia que o chão chegaria a qualquer momento! E chegou! A bicicleta rolou por cima de mim. Caimos eu ela e o celular voou por cima do meu ombro esquerdo caindo bem embaixo do meu rosto e depois ficou para trás. Passaram dois carros. Ninguém parou. Corri para pegar o celular antes que apagasse (preto, no escuro, sumiria). Montei na bike, coloquei o celular no bolso, lembrei da cratera, voltei para o meio da pista, perguntei-me o que tinha acontecido e fiquei... FELIZ! 
Eu estava inteiro! Nada de mal tinha rolado. Tentei tatear a bike para ver se tinha manetes e odômetro, e este último tinha caído. Como eu sabia onde tinha sido o tombo (pouco antes da cratera, tropeçando em algo grande no acostamento) pensei que seria fácil voltar e pegar o odômetro. Voltei para o meio da pista e assim fui até Paraty. Quando vinha um carro eu ia para o acostamento. Se vinha de frente colocava a aba do boné bem baixa para não me cegar. Se vinha pela popa aproveitava para ver o mais distante possível.


ROTEIRO DO PASSEIO!
(clique para aumentar)


A chegada! O retorno para buscar o odômetro e descobrir o mistério e... Croque Dijon da Bibi, a melhor mulher do mundo!!! 

Pela adrenalina e pela alegria de não ter me quebrado, mais a sensação espetacular de transcendência -- por favor meus amigos, sei da irresponsabilidade...mas ao invés de me punir, estou curtindo o lado bom - de pedalar no breu, tateando a pista, usando sentidos, como audição, para me guiar, a chegada foi uma conquista. Imediatamente voltei (17,9km). Queria identificar o que me derrubou e achar o odômetro: Veja por você mesmo:
O que eu encontrei no acostamento que me jogou no chão









O que era, depois que eu levantei o objeto caído...




Espetacular ver a Bibi estava toda animada e cozinhou um excelente Croque Dijon! Comi com um sorriso no  rosto, algumas escoriações, a sensação do morcego gelado no cotovelo e o sorriso lindo da minha mulher amada que me apoiou nesta farra! A notícia: AMANHÃ TEM MAIS e a Bia vem junto, podia ser melhor???!!!

Já foram 223,5! Agora só faltam 49.776,5!!!

Um comentário:

  1. Mas você vai me prometer que, da próxima vez que pegar a estrada, vai de capacete, tá??? E de lanterna tb!!! Promete??

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