Distância total: 83 km Nível 4(-), tempo total 04:40h
| Mandando beijo para minha mulher e começando a descida! Os próximos 7 km vão ser muito bons! |
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Depois de descer a serra, acreditem, as pernas ficam bambas
uma meia hora. Esta história de que para baixo todo santo ajuda fica estranha numa entrada de curva, em cotovelo, com quase 20% de inclinação a 60 km/h!
Então aproveitando o misto de pernas bambas e adrenalina, acelerei
por toda a primeira hora e, claro, com a ajuda da velocidade da descida, ganhei
27.7km embaixo das rodas.
A esta altura já tinha passado a praia vermelha e veio a
primeira subida. O asfalto no acostamento é muito rugoso e freia fortemente a
bicicleta. O vento era NNO, 10km/h, ou seja, vento de proa. Tudo isso na subida
fez a velocidade cair muito. A média desceu para 13,5km/h e fez as pernas
doerem. A solução foi fazer um lanchinho (pedalando) comendo uma banana. (16:00
/ 32km).
A subida da polícia rodoviária (praia do Félix) é
longuíssima, foi outra puxada boa!
Às 16:42 / 45.6km chegou a hora do primeiro chocolate Charge.
Uma bomba de calorias! 5 minutos depois parecia que eu tinha tomado TNT. Mas a “carga”
de açúcar durou pouco... Já estava chegando no pé da subida da serrinha da
divisa São Paulo/Rio quando comecei a receber SMSs. Fiquei curioso para lê-los.
Faltavam 8 km para a divisa e este trecho é só subida. às 17:10 / +-55km desci
da bike pela primeira vez e fui caminhando enquanto comia outro Charge e
trocava SMSs com a Bibi. Minha mulher é um espetáculo! Quando eu falei que
faltava só uns 25 km ela comemorou muito! Fiquei imaginando o que me esperava
no prato! Que delícia!
Ficou escuro... os medos aparecem... o primeiro deles, o
medo de assalto!
Subi na bicicleta e parecia que tinha ligado uma turbina!
Pedalei na subida acima de 30km/h. Esta alegria durou uns 5 minutos (ah esta “carga
rápida” do charge passa rápido! RS). Então a velocidade começou a cair. Fui até
o fundo do poço com uns 6km/h (17:42 / 60km).. Parecia que não ia chegar nunca
na divisa, quando finalmente começam as descidas. Neste trecho sobe-se 45% da
altura da serra para São Paulo (385m). Nos dois últimos kilômetros antes do Rio
a noite já estava feita. Muito ruim isso... faltam algo como 20 km e eu não
tinha luz para pedalar no escuro. A previsão de chegada é que eu pegasse uns 7
km de escuro apenas, mas me atrasei na subida da serra (as lanternas tinham
ficado em Paraty). Passei por dois bares e tinha gente neles Pedalei mais uns
200 metros e ouvi o barulho de uma motocicleta em mau estado ligando. Coloquei
o celular com a luz ligada no bolso da camiseta. A motocicleta acelerou forte
para a minha direção. Olhei para traz e vi que vinha com o farol apagado. Tive certeza
de que ia ser assaltado. Meti a mão no bolso e virei o celular escondendo a
luz. A motocicleta parou imediatamente. Medo. Acelero ou me jogo no mato? O
escuro agora era completo. Neste trecho o mato envolve a estrada. Não via nada.
Só sabia que enquanto o pedal estivesse pesado estava subindo e pronto. Então a
moto ligou de novo. Acelerou e veio para cima de mim. Passou a menos de 30 cm e
os dois ocupantes gritaram: -- QUE SUSTO CARA#%&@#... Kkkkk. Então pararam
uns 300 metros para a frente, na porta de uma casinha muito escondida e
chamaram o dono! Eles também não tinham farol e estavam me seguindo por causa
da luz do celular. Só estavam indo do bar para a casa de alguém! Ahhh neurose,
não é?
Morcegos me mordam, Batman!
Assim, feliz de não ter sido atropelado nem assaltado,
terminei a subida da serrinha (aprox 18:00). Agora era deixar rolar. Como não
via nada, fui para o meio do asfalto. Conseguia muito mal ver as faixas
pintadas no centro da pista. Rezando para nada apagado trafegar por ali deixei
a bicicleta rolar solta. E tinha alguma coisa apagada transitando! Um morcego,
grande, frio, barulhento que “catei” com a parte de fora do cotovelo esquerdo
fazendo um som de carne sendo jogada em cima do balcão do açougue. Um barulho
molhado e gosmento. Coitado do morcego. Deve estar até agora se perguntando
quem era o doido!
O susto foi grande. Se tivesse pego no rosto teria, pelo
menos pelo susto, jogado-me no asfalto. Então freiei a bicicleta e fui andando
pela parte escura, rugosa e trepidante que é o acostamento.
Cuidado com a placa! Que placa? Cabum!
Sabia que imediatamente depois da “grande curva” – uma curva
à direita que gosto muito de fazer de forma “esportiva” de carro – teria uma
cratera no chão pegando todo o acostamento e metade da pista. Vim me preparando
para diminuir a bike assim que chegasse perto, pois sabia que não a veria. E
então aconteceu! Um longo som de sino e aquela sensação de queda da montanha
russa no escuro lá da Disney! Por um reflexo protegi a cabeça (para não
estragar o boné! Pq no escuro, sem capacete, perto da “cratera”, andando em
cima na bike e não empurrando ela é pq a cabeça não serve para nada mesmo!!! Kkkkkkkkkkkk).
De verdade não sabia o que estava
acontecendo. Mas sabia que o chão chegaria a qualquer momento! E chegou! A
bicicleta rolou por cima de mim. Caimos eu ela e o celular voou por cima do meu
ombro esquerdo caindo bem embaixo do meu rosto e depois ficou para trás.
Passaram dois carros. Ninguém parou. Corri para pegar o celular antes que
apagasse (preto, no escuro, sumiria). Montei na bike, coloquei o celular no
bolso, lembrei da cratera, voltei para o meio da pista, perguntei-me o que
tinha acontecido e fiquei... FELIZ!
Eu estava inteiro! Nada de mal tinha rolado. Tentei
tatear a bike para ver se tinha manetes e odômetro, e este último tinha caído. Como
eu sabia onde tinha sido o tombo (pouco antes da cratera, tropeçando em algo
grande no acostamento) pensei que seria fácil voltar e pegar o odômetro. Voltei
para o meio da pista e assim fui até Paraty. Quando vinha um carro eu ia para o
acostamento. Se vinha de frente colocava a aba do boné bem baixa para não me
cegar. Se vinha pela popa aproveitava para ver o mais distante possível.
A chegada! O retorno para buscar o odômetro e descobrir o mistério e... Croque Dijon da Bibi, a melhor mulher do mundo!!!
Pela adrenalina e pela alegria de não ter me quebrado, mais a sensação espetacular de transcendência -- por favor meus amigos, sei da irresponsabilidade...mas ao invés de me punir, estou curtindo o lado bom - de pedalar no breu, tateando a pista, usando sentidos, como audição, para me guiar, a chegada foi uma conquista. Imediatamente voltei (17,9km). Queria identificar o que me derrubou e achar o odômetro: Veja por você mesmo:
O que eu encontrei no acostamento que me jogou no chão
O que era, depois que eu levantei o objeto caído...
Espetacular ver a Bibi estava toda animada
e cozinhou um excelente Croque Dijon! Comi com um sorriso no rosto, algumas escoriações, a sensação do
morcego gelado no cotovelo e o sorriso lindo da minha mulher amada que me
apoiou nesta farra! A notícia: AMANHÃ TEM MAIS e a Bia vem junto, podia ser melhor???!!!
Já foram 223,5! Agora só faltam 49.776,5!!!
Já foram 223,5! Agora só faltam 49.776,5!!!




Mas você vai me prometer que, da próxima vez que pegar a estrada, vai de capacete, tá??? E de lanterna tb!!! Promete??
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